Incoerências de um outro EU

Habito nas palavras quietas que me expressam e vagueio, em silêncio, por todos os seus corredores e sentidos. Tenho medo de acordar com a impaciência das palavras sentidas e com a imprudência dos corações que não dormem. Enrosco-me, neste desassossego só meu, nesta vontade de significados e de palavras que ficam por dizer, nesta incoerência de almas múltiplas e de espelhos partidos pela casa… Ás vezes, as palavras quietas incomodam, e os seus aguilhões penetram no corpo, como lanças aguçadas. Ás vezes, sinto que não sou eu que habito neste labirinto construído, enigmaticamente, por sentimentos que forjo, dentro de mim, para não me perder. De tempos a tempos, torna-se evidente que não sou eu. Não sou eu que sinto, não sou eu que respiro, não sou eu que apareço na visibilidade dos olhos dos outros; Vejo as cenas deste filme, do lado de fora, olhando para o ecrã da vida que um dia presumi minha, assumindo as incoerências, contingências e contradições de uma personagem sempre insatisfeita, mas suficientemente acomodada para não assumir a sua própria loucura.
Nada do que escreva ou faça mudará quem sou. Porém, existe uma multiplicidade de “EUS” a esgrimirem-se pelo seu lugar ao sol, sendo certo, que neste duelo, muitos ficarão, irremediavelmente, pelo caminho.
Nada do que escreva ou faça mudará quem sou. Porém, existe uma multiplicidade de “EUS” a esgrimirem-se pelo seu lugar ao sol, sendo certo, que neste duelo, muitos ficarão, irremediavelmente, pelo caminho.