Seara de Fogo

Baila-nos o olhar na planície oscilante
No sopro das searas amadurecidas pelo fogo
Em que o tempo se suspende em nossas mãos
E das nossas bocas as espigas se desprendem.
Não há solidão no espaço imenso que nos cinge
Na campina térrea em que o momento se demora
Não há hora para os corpos que se querem
Não há vontade que se esgote em nossos rostos
O amor ainda queima na seara incendiada
Quando da pele o suor quente se desprende
E é na labareda da memória que o presente
É já do restolho cinza de saudade anunciada.