Praia Deserta

Procurei-te em segredo na indolência das horas
Para aniquilar na manhã gelada a dor da ausência
Mas foi como alongar o amargor da indiferença
Com que me brindas nos estios das tuas demoras.
Da erva-do-orvalho a prata das brumas
Em madrugada incessante de vazio prostrada
É das vagas o sopro que se acolhe nas dunas
É do meu corpo a saudade no ventre apertada.
Na espuma das ondas que a meus pés fenecem
Funde-se o desejo nos destroços gastos de um navio
Rumando à essência do oceano imerso e frio.
Já sob a baça claridade os meus lábios estremecem
Quando suspensa dos olhos uma chuva encoberta
Raia o salgado das lágrimas e a nossa praia … deserta.